Relatório de Vindima Concha y Toro 2019

Excelência

“A safra 2019 se apresenta como uma excelente vindima, com uvas muito saudáveis, boa acidez e grande concentração de aromas. Os vinhos são generosos, bem expressivos e de taninos suaves”, afirma Marcelo Papa, Diretor Técnico da Viña Concha y Toro.

Esta vindima foi marcada por ausência de chuvas e temperaturas mais baixas do que o normal durante o inverno, o que atrasou o florescimento e adiantou a irrigação. No final de dezembro, se observou um aumento considerável das temperaturas, registrando diversos eventos de calor de grande intensidade, especialmente na zona norte e central. No mês de março, as temperaturas começaram a diminuir e a apresentar faixas normais. A vindima se adiantou 10 dias e o volume final de colheita foi ligeiramente inferior ao projetado, com uma baixa de 2,8%. Em comparação ao ano passado, existiu uma boa quantidade de cachos, porém, apresentaram menor peso.

1. Clima

A temporada foi marcada pela corrente do El Niño que elevou a temperatura da superfície do mar da costa sul-americana; causando mais nebulosidade, ausência de chuvas e uma primavera um pouco mais fria que atrasou o florescimento, se comparado com um ano normal.

As temperaturas entre maio e outubro foram mais baixas que as médias históricas. Durante o mês de dezembro, as flores chegaram com um pouco de atraso em relação a um ano normal. A temperatura baixou em janeiro, subiu em fevereiro, e logo março-abril foram meses mais frios do que o normal.

2. Qualidade

Em geral, todas as cepas tiveram um resultado muito bom e apresentam uma alta qualidade. Temos trabalhado para cumprir com um alto padrão, mantendo um bom nível sanitário dos vinhedos, e uma produção o mais estável possível. Temos uma redução de quilos, principalmente no Vale do Maipo, com os Cabernet Sauvignon de vinhedos antigos.

Sustentabilidade

A Gerência Agrícola e Desenvolvimento Sustentável tem desenvolvido um projeto de painéis solares fotovoltaicos para abastecer com energia solar os trabalhos de irrigação. A energia fotovoltaica não emite nenhum tipo de poluição e é 12% mais barata.

“A ideia é buscar lugares onde haja uma eficiência energética que possamos aproveitar. Vamos seguir crescendo até outros campos. Atualmente contamos com um total de 5 plantas fotovoltaicas localizadas em Limarí, com possibilidades de crescimento nos vales de Casablanca, Rapel, Curicó e Maule”, conta Max Larraín, Gerente Agrícola.

 

Inovação

O Centro de investigação e Inovação (CII) trabalha desde o ano passado em um sistema de previsão do volume de colheita. Um modelo de Inteligência artificial que, através do uso de drones e sensores remotos, será capaz de predizer a quantidade de uvas disponíveis para a produção de vinhos e antecipar essa informação para ter uma projeção mais veloz e apurada.

“Hoje estamos trabalhando na informação, levantando dados através de imagens de drones, que têm câmaras multiespectrais, e com cálculos de algoritmos. Ainda estamos na fase de pesquisa, mas é um projeto que vai nos ajudar muitíssimo, complementando as estimativas realizadas nos campos”, anuncia Max Larraín, Gerente Agrícola.

A Vindima em cada Vale

Limarí

Javier Villarroel, Enólogo Sênior da Viña Concha y Toro, explica que o inverno foi bastante frio, quase sem precipitações. A neve que caiu na cordilheira permitiu manter os níveis de água dos reservatórios, e essa disponibilidade de água permitiu que as irrigações fossem otimizadas.

“É uma excelente colheita em brancos e tintos, com vinhos que mantêm a fruta fresca, generosos na boca, embora tenha menor concentração. Foi boa especialmente para o Syrah que se beneficiou do calor”, afirma Javier Villarroel.

“As altas temperaturas nos obrigaram a colher rapidamente. Fomos mais eficientes no planejamento da colheita e aumentamos a capacidade de reserva, o que nos permitiu receber mais vinho durante a vindima”, anuncia Javier Villarroel  Enólogo Sênior da Viña Concha y Toro ”.

Maipo

“A vindima corresponde a um ano seco, com poucas precipitações concentradas nos meses de inverno. Esta reserva menor de água nos solos nos obrigou a adiantar as irrigações”, explica Enrique Tirado, Diretor Técnico de Don Melchor.

No período de maturação – entre os meses de janeiro e abril -, foi observada uma média de 18,2°C, valor levemente superior aos 18,0°C de média histórica. O resultado desta evolução nas temperaturas e precipitações foi um florescimento mais tardio que o normal, observando um crescimento vegetativo mais lento e limitado no final de outubro, que se recuperou após o florescimento.

Os rendimentos foram 20% menores à média histórica, o que se traduz em uma grande concentração de sabores e aromas das uvas colhidas. Os vinhos são bem expressivos, densos e longos. Ressaltam a expressão da fruta e a qualidade das texturas conseguidas em todas as variedades do vinhedo de Don Melchor.

“Cada parcela de Cabernet Sauvignon revela uma grande qualidade e personalidade, o que nos permite anunciar que teremos um fantástico e excelente Don Melchor colheita 2019”, afirma Enrique Tirado  Diretor Técnico de Don Melchor.

Casablanca

Neste vale – localizado a poucos quilômetros da costa -, a colheita 2019 se caracterizou por temperaturas agradáveis, inclusive dias quentes, e céus frequentemente limpos. Para Max Weinlaub, Enólogo Principal da Viña Concha y Toro, estas condições climáticas ajudaram a cepa Chardonnay a amadurecer antes do Sauvignon Blanc, o que é um fenômeno bastante atípico nesse vale e que representou uma mudança no sistema de coleta para que cada uva fosse colhida em seu momento ideal.

“A colheita 2019 é a culminância de um processo que começou na primavera 2018 com o florescimento. Durante essa temporada, não foram registradas geadas e as parreiras alimentaram uma grande quantidade de cachos, o que nos fez pensar que seria uma vindima de muito volume. No entanto, ao avançar a maturação, foi observado que os cachos pesavam menos, voltando às projeções iniciais por hectare. Os vinhedos foram permanentemente visitados para monitorar o estado sanitário da uva e a evolução da maturação”.

“Cada vindima é diferente e traz consigo um desafio permanente para todos que estamos envolvidos direta e indiretamente no processo. Por isso, é fundamental a comunicação, assim como o trabalho em equipe”, afirma  Max Weinlaub, Enólogo Principal de Viña Concha y Toro.

Cachapoal

“O ano 2019 apareceu de forma bem desafiante devido ao calor. Segundo nossos dados, os meses de janeiro e fevereiro foram os mais quentes registrados em Peumo. Portanto, focamos especialmente no Merlot, já que sob essas condições se ressente e detém sua maturação”, explica Marcio Ramírez, Enólogo Principal da adega Peumo Cachapoal, e acrescenta: “Viemos de uma colheita 2018 muito boa, por isso minhas expectativas não eram as mais favoráveis. Pouco antes da vindima, as temperaturas voltaram ao normal, o que permitiu que a uva alcançasse sua maturação”.

Peumo é o berço do Carmenere e, diferentemente de outras variedades tintas, se desenvolve bem com temperaturas altas. Por isso, apesar de que Peumo tinha se adiantado, decidiram esperar o momento perfeito para colher: quando o grão estivesse pronto e as folhas com uma cor vermelho carmesim. Os resultados são vinhos bem atraentes, volumosos e de taninos mais suaves; na boca predomina a fruta vermelha e notas condimentadas.

“Esta vindima me surpreendeu pela qualidade das uvas e porque os vinhos estão saindo saborosos, com taninos mais suaves e mais redondos. O ano 2019 será um bom ano para o Merlot e o Carmenere”, afirma  Marcio Ramírez, Enólogo Principal da bodega Peumo, Cachapoal.

Maule

Foi um verão com temperaturas bastante moderadas, ainda que fevereiro tenha sido mais quente, com 20 dias de temperaturas elevadas, o que não afetou a as parreiras por ter sido antes da coloração. Em março, as temperaturas voltaram à normalidade e foi produzida uma alta oscilação térmica, o que é ideal para que a uva amadureça pouco a pouco.

“Contrariamente ao que se pensava – depois de uma vindima com as características do ano passado -, esta colheita está muito boa”, afirma Héctor Urzúa, Enólogo Principal de Concha y Toro. “Se em 2018 tivemos uma vindima bem elegante e de taninos suaves, em 2019 está prevista uma de maior concentração, sem cair em taninos fortes e com menos quilos que o ano passado”.

“Se não foi uma vindima fácil, para mim a de 2019 será muito melhor que a do ano passado. Destacam especialmente os Cabernet Sauvignon da zona de Cauquenes que estão saindo interessantes”, anuncia  Héctor Urzúa, Enólogo Principal de Concha y Toro.

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